Niquelândia, Goiás,
segunda-feira, dia 11 de dezembro de 2017
 
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MPF denuncia Joesley e Wesley Batista por manipulação no mercado financeiro
Irmãos são acusados de usar informações privilegiadas para lucrar no mercado financeiro por meio das empresas JBS e FB Participações.
 
O Ministério Público Federal denunciou, nesta terça-feira (10), Wesley e Joesley Batista, controladores do grupo J&F, por uso indevido de informações privilegiadas para obter lucro no mercado financeiro.

No caso da operação de compra e venda de dólares, apenas Wesley foi responsabilizado, como antecipou o Painel. O executivo pode ser condenado a uma pena de 3 a 18 anos.

"Claro que há uma possibilidade de conluio entre os irmãos, mas não foram encontradas evidências contra Joesley", afirma a procuradora da República Thaméa Danelon.

A investigação utilizou informações da CVM, áudios de Whatsapp enviados por Wesley e depoimentos de funcionários da própria JBS que receberam as ordens de compra e venda, e que confirmaram o caráter atípico das transações ocorridas no dia do vazamento da delação.

As operações de câmbio ocorreram entre os dias 28 de abril e 17 de maio, data do vazamento da delação. Só neste dia, o grupo faturou US$ 751,5 milhões. A valorização de dólar no dia do vazamento da delação foi a maior desde 1999, apontou a investigação.

A CVM apurou que o grupo deixou de ter um prejuízo de R$ 100 milhões com a compra de dólares, e de R$ 138 milhões com a compra e venda de ações.

Joesley não será responsabilizado pela operação de câmbio, mas, assim como Wesley, foi denunciado por manipulação de mercado, e poderá pegar pena de 2 a 13 anos de prisão.

Além das penas, há a possibilidade de uma multa de até três vezes o ganho financeiro com as operações irregulares.

"Uma vez feita a denúncia, o processo deve andar de forma célere, pelos réus já estarem presos", afirma o procurador-chefe Thiago Lacerda Nobre.

A CVM, que colaborou com informações para a denúncia, mas conduz investigação paralela, está finalizando um relatório, que poderá levar a outras punições, diz Danelon.

"São esferas independentes, mas as apurações e os dados são compartilhados."

A JBS afirma que A JBS informa que as operações de recompra de ações e derivativos cambiais em questão foram realizadas de acordo com perfil e histórico da Companhia que envolvem operações dessa natureza. Tais movimentações estão alinhadas à política de gestão de riscos e proteção financeira e seguem as leis que regulamentam tais transações.

A defesa irá se pautar nos estudos encomendados pela empresa à Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi), que apontam que havia subsídios econômicos para a estratégia de derivativos cambiais da companhia, e que as recompras feitas pela JBS em 2017 são normais quando comparadas às do período imediatamente anterior, afirma o advogado que defende os irmãos Batista no caso, Pierpaolo Bottini.

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