Niquelândia, Goiás,
segunda-feira, dia 23 de outubro de 2017
 
04/08/2017
Vice-líder do governo vai contabilizar base aliada, mas diz que não é 'caça às bruxas'
De olho nas votações futuras, deputado Beto Mansur (PRB-SP) defendeu necessidade de mapear dissidentes na votação da denúncia contra Temer, que Câmara derrubou por 263 votos a 227.
 
Passada a votação na Câmara que barrou a denúncia por corrupção passiva contra Michel Temer, o deputado Beto Mansur (PRB-SP), um dos vice-líderes do governo, disse nesta quinta-feira (3) que fará um levantamento dos dissidentes para saber o tamanho real da base aliada. Mas ressalvou que não se trata de “caça às bruxas”.

Na noite de quarta-feira (2), os deputados barraram o andamento da denúncia por 263 votos a 227. Houve duas abstenções e 20 não compareceram à sessão.

Conforme cálculo feito pelo G1, um em cada quatro deputados de partidos que detêm ministérios no governo votou contra Temer. As nove legendas da base com ministros somam 313 deputados. Desses, 75 (24%), votaram a favor da continuidade da denúncia contra Temer.

Na avaliação de Mansur, os partidos que se mantiveram mais fiéis ao presidente têm que ser privilegiados, mas ele não explicou se isso implicaria na redistribuição de cargos no governo.

“Eu acho que precisamos, sim, valorizar quem esteve conosco nessa votação. Essa base que está conosco tem que ser privilegiada, mas não vamos desprestigiar quem eventualmente votou contra o presidente”, afirmou. “Fazer uma análise não é caça às bruxas de jeito nenhum”, acrescentou.

Deputados do bloco informal conhecido como "Centrão", que reúne legendas médias e pequenas na Câmara e foi o principal fiador da vitória de Temer, cobram um redesenho ministerial para que o grupo ganhe mais espaço na Esplanada, com redução da presença do PSDB. Embora comandem quatro ministérios, os tucanos se dividiram: 22 deputados votaram pró-Temer e 21 contra.

Mansur defendeu uma reaproximação com a sigla, de olho em votações futuras. “É lógico que queremos o PSDB junto. Não tem que brigar com ninguém nessa hora, não tem que ficar retaliando absolutamente ninguém”, afirmou.

Mansur explicou que passará o fim de semana debruçado sobre a planilha de votação. “Temos que fazer uma análise global da nossa base e saber qual é o tamanho, para que a gente possa conversar com partidos. É uma questão de fazer análise e olhar para a frente”, disse, citando temas da pauta da Câmara, como a reforma da Previdência, que exigirá uma base coesa no plenário para aprovação.

Sem rancor

O ministro Osmar Terra (Desenvolvimento Social), deputado federal pelo PMDB-RS, afirmou que o momento não é de retaliar os infiéis da votação da denúncia contra o presidente Michel Temer.

Nesta quinta-feira (3), após entrevista no Palácio do Planalto sobre ações para gerar emprego e renda no Rio de Janeiro, Terra foi questionado por jornalistas sobre como Temer reagiu às traições na base governista. O ministro respondeu que o presidente não é de “rancor”.

Para reforçar o argumento, Terra decidiu contar uma “historinha”. Revelou que nunca votou na chapa Dilma-Temer (2010 e 2014), já que o PMDB do Rio Grande do Sul não apoiou a aliança entre PT e PMDB nas eleições presidenciais.

“Ele [Temer] nunca guardou rancor por isso”, disse. “Para governar o Brasil, ele [Temer] tem que ser magnânimo e pensar grande”, completou.

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